sábado, 5 de junho de 2010

Minha primeira experiencia gay.


CALMA, PORRA! Não é nada disso que vocês estão pensando. No final de semana do dia 26 fui a uma balada. Como se só ir a uma balada não fosse gay o suficiente, a casa noturna dançante paulistana era preferencialmente colorida. Parece redundância, mas unir balada e gay na mesma frase, só torna tudo isso mais gay.

Não fui porque sou fã, mas não tem mal algum conhecer algo novo, novos ares, uiiii… ops. Obviamente que também não estava lá sozinho e quem me arrastou pra lá foi a Luna, minha namorada (é legal sempre reforçar isso para que não pensem coisas). Logo na entrada, no meio daquele mundaréu de gente com óculos de plástico sem lente, calça do Zezé di Camargo esmaga-bolas e camisetas com gola V até o umbigo, encontramos alguns amigos dela.

Na porta dei meu nome, mas antes dei aquela pigarrada pra voz ficar grossa: “Oi.. meu nome é.. é… é… Bruno e eu tô.. hummmmm.. tô na lista”. Sei lá qual foi o sentido disso, até porque quem trabalha ali deve ver muito “macho” indo lá pra “conhecer”. Odeio aspas. Mas, enfim, agarrei a Luna e subi as escadas. Esse era o nosso acordo. Eu só iria se ela não desgrudasse de mim.

Entrei no recinto igual a policial quando dá batida em baile funk: olhando para todos os lados e desconfiando de tudo. Situação normal. Em poucos minutos comecei a ficar nervoso, porque o lugar enchia cada vez mais de gente. E aí, meus amigos, aqueles esbarrõezinhos sem querer já estavam começando a me deixar extremamente puto. Era um passando por aqui, outro por ali. Porra, qual é o problema de ficar em um lugar parado, caraio? Quanto mais a situação se agravava, mais eu deixava o cotovelo no peito de quem passava. Só pra dar aquela distância necessária. TOMARNOCU! Motivos:

1. É zoado

2. Faz favor?

3. Não sou obrigado.

Em meio a vários “uhuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu” a cada nova música da Lady Gaga ou da Beyoncé, a noite foi passando. Sério: quem comemora quando toca uma música? Querido diário, nessa minha experiência descobri que Lady Gaga é tipo o gol no mundo dos gays. Ou até mesmo 0 Flamengo e o Corinthians deles.

No instante que começou a tocar Telephone, a Luna começou a dançar feito maluca. Frenética. Ela fica assistindo os vídeos no Youtube só pra aprender as coreografias e lá era o lugar ideal para por em prática seus dias de árduo treinamento. Enquanto isso acontecia, eu ficava de lado assistindo. Foi neste exato instante que me cutucuram. Caras, meu cu fechou. Pô, todo mundo que eu tinha conhecido estava dançando à minha frente… e não atrás de mim. Quem poderia ser? Milhões e milhões de possibilidades se passaram na minha cabeça em frações de segundos. Olhei para trás e vi uma menina e um menino. Tava escuro e sou míope, logo pensei no pior. Já virei o olho achando que ela queria me agitar pro cara e rolar aquela intensa pegação masculina. Ufa, pelo menos não foi isso.

- Oi, você posta no Twitter, né? Você não é o @BruninhoMA?

GELEI! Minhas pernas começaram a tremer e minhas respostas não saiam perfeitamente coerentes. Porra, eu vou pra baladas, barezinhos, shopping, shows e o caraio a 4 e nunca ninguém me reconheceu ou veio falar se eu era de blog, Orkut, Netvibes, Vila Dos Computador… NADA! Aí pela primeira vez que vou numa balada gay me reconhecem no escuro. Pensei: Deus tá fazendo câmera escondida comigo só pra olhar minha cara de desespero. Deve ser isso.

- Sou. Nooooossa, como me reconheceu (VOZ MUITO GROSSA HARD MODE ON)? HEHHEHEHE

- Ah, eu vi você de longe e reconheci.

- É, então, mas eu só tô aqui porque é aniversário de um amigo da minha namorada que tá ali ó, tá vendo? Aquela é minha namorada, HEHEHEHE.

Já adiantei isso pra evitar um constrangimento maior do tipo “VI O @PAGALANXE NUMA BALADA GAY ONTEM HEHEHEHE. ELE TAVA SUPER SOLTO. ARRASOU, BEE!” no Twitter ou nas outras redes socialites. Coisa que não aconteceu, porque sou precavido e remediado.

Conversamos e quando a música acabou, uma drag subiu no palco sei lá porque pra falar com as pessoas. E, mais sei lá ainda, todos tavam curtindo isso. Perguntou quem era hetero, quem tava lá pela primeira vez e essas curiosidades que todo mundo quer saber (alô?). Fiquei na minha, obviamente, e ela chamou um hetero no palco que levantou a mão dizendo ser hetero. Ela pediu para ele dar um beijo num gay. Como o cara se recusou, a drag emendou um “Num vem com homofobia pra cá não, Dourado. Aliás, gente, votem no Dicesar porque ele tá no paredão. Coloquem créditos no celular e vamos com força eliminar aquele ogro do Dourado”. O pessoal foi a loucura.

Nesse momento, um corno passou e me deu um beliscão na minha nádega. Foi a gota d’ agua. Gritei: “VAI TOMAR NO CU!” Sério, se eu tivesse uma arma ou uma faca, tinha dado um soco na boca dele. Silêncio total. Olhares fulminantes de todo o recinto se dirigiram pra mim como se eu tivesse jogado minha filha pela janela de um prédio. Sem brincar, que medo! Eu só tinha sentido algo assim quando um amigo gay na faculdade começou a correr atrás de mim na sala pedindo pra que eu abaixasse as calças. Dica: com fogo e pessoas xiitas não se brinca.

Decidi que era hora de sair de fininho e fingir que não era comigo o momento de silêncio. Fiz voz diferente pedindo licença e tentei sair tranquilamente do local. Tomei umas porradas e uns agarrões meio esquisitos mas saí no lucro.

PRA NUNCA MAIS!

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